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Archive for Agosto, 2008



EM SETEMBRO

Nos dias 12, 13, 18 e 19 de Setembro o Auditório Municipal Augusto Cabrita recebe sete propostas, com destaque para o regresso dos American Music Club e para a estreia de Vic Chesnutt em Portugal. Depois de durante o ano de 2007 e início de 2008 “O Barreiro Outras Músicas” ter trazido ao palco do algumas das propostas mais interessantes no panorama nacional português, nomes como JP Simões, Dead Combo, Kimi Diabaté, propõe-se agora a alargar esta proposta a novos géneros e territórios.
Os espectáculos iniciam às 21.30 e o bilhete terá o preço de 5 euros por noite.

PROGRAMA

Dia 12
21,30h
Tiago Guillul

Foi muito o tempo que ele passou despercebido. Foi muito tempo com uma existência confinada aos suportes gratuitos da internet e a obscuras caves na Linha de Sintra. Esse tempo de deserto foi o tempo próprio para acumular a substância de que é feito o ressentimento. ??Sendo mais preciso, a medida desse tempo são três discos: Fados Do Apocalipse Contra A Babilónia (2002), Mais 10 Fados Religiosos (2003) e Tiago Guillul Quer Ser O Leproso Que Agradece (2004), todos eles marcados com o selo da FlorCaveira (pequena editora fundada pelo próprio). Tiago Guillul o titeriteiro que manipula os Lacraus, as Borboletas Borbulhas e os Ninivitas. Toca baixo com Samuel Úria & as Velhas Glórias. No panque-roque desde 1993 (Metanoia, Catacumba, Bible Toons, A Instituição e Guel, Guillul & o Comboio Fantasma). Produtor dos discos de Samuel Uria e Pontos Negros. Pertence-lhe o blogue Voz do Deserto (www.vozdodeserto.blogspot.com). Casado, monogâmico, pai de três filhinhos. Pregador baptista. Escreve em cantos obscuros da imprensa. Não gosta que digam muito mais que isto.
22,00h
The Act Ups

Os Act Ups nasceram, filhos de pai desconhecido (embora vários nomes tenham sido apontados como prováveis autores do acto: Jeffrey Lee Pierce, Hank Williams, Wilson Pickett, Rock Erickson – todos ilibados por estarem mortos, ou quase, na altura da concepção no Barreiro em 2001. Em 2003 lançaram o seu primeiro disco “I Bet you Love Us Too”, um disco pleno de Soul e Garage-Rock, talhado para qualquer festa de garagem, mas foi com o disco “The Marriage of Heaven and Hell”, de 2006, que atraíram a atençãoo de um público mais vasto, tendo percorrido toda a Península Ibérica nos últimos dois anos. 2008 prepara-se para assistir ao lançamento de “The Act-Ups Play the Old Psychedelic Sounds of Toda”, um disco mais arrojado, abrangente, uma ponte entre o passado e o futuro do rock. Os concertos, esses, continuarão a ser – garantidamente – directos, explosivos, verdadeiras festas pagãs onde as canções, bem como o público, ganham uma nova vida.
Dia 13
21,30h
Norberto Lobo

Um dos guitarristas nacionais mais importantes desde Paredes, Norberto Lobo é um caso de tremendo talento, maturidade criativa precoce, e um coração aparentemente infinito transposto para som. Parece abraçar toda a música que é pura, tal como pega na sua guitarra com o maior carinho e naturalidade, na gestação do seu riquíssimo – e virtuoso – discurso de guitarra. Liga a abertura harmónica do samba e da bossa, ao liricismo (e as artérias) de Paredes, às técnicas de “fingerpicking” de John Fahey, a milhares de outros pontos na sua cartografia das cantigas e da expressão artística. ´Mudar de Bina´, seu álbum de estreia editado em 2006, foi dos registos mais aclamados desse ano, e os tempos que se seguiram desde então multiplicaram, felizmente, o número de admiradores confessos deste músico que, de Norte a Sul, nos vai tornando a todos um pouco mais grandes. Enormíssimo guitarrista já em estado de graça, nos primeiros tempos de uma carreira de fantástico potencial e inimagináveis possibilidades.
22,00h
Lula Pena

É raro encontrar alguém que, conhecendo a Lula Pena, tendo-a escutado, não respire fundo quando lhe oiça o nome. A sua voz magnífica tem o peso e a profunidade do ritual, o brilho e a vibrância dos mais delicados. Enorme talento de trilho nómada, em permanente viagem pelas terras que se lhe oferecem, faz já mais de dez anos que não lança um disco, e os concertos anunciados que dá tornaram-se um bem demasiado precioso para serem desperdiçados. Diz que era (é, será?) ´phadista´ por ser portuguesa, e que estar longe a faz sentir ainda mais ser de cá. Percorre, capta e interioriza o Norte de África, a música das águas do Mediterrâneo, os lamentos e rezas do samba e da bossa. Por agora, parece que todos a conhecem (mas todos nunca são suficientes, e podem ser muito mais; devem, têm que ser) mas que é raro saber por onde pára; certo é que ninguém a esquece. Leve demais para ser apanhada, desaparece por entre os nossos dedos, refaz-se e voa para onde fôr que o destino aponte. Esta ocasião em que a podemos ver cantar é, então, um daqueles dias sagrados em que podemos ficar um passo mais perto do sopro divino.
Dia 18
21,30h
Tiago Sousa & João Correia

Tiago Sousa tem-se afirmado como um dos mais entusiasmantes compositores de música não estandardizada da nova geração. Depois de em 2006 lançar Crepúsculo (Merzbau, CD-R) e em 2007 Noite/Nuit (Merzbau, Online), chega-nos agora em 2008 com um disco incrível chamado The Western Lands (Resting Bell, CD-R/Online), inspirado pelo livro homónimo de um dos maiores génios literários do século XX, William S. Burroughs. Destacado pela imprensa nacional em publicações como Ipslon, Time Out, Bodyspace, tendo sido também destacado numa das mais importantes webzines de música independente e experimental nos Estatos Unidos, a Foxydigitalis. Recentemente teve a enorme honra de tocar na primeira parte do concerto de Shannon Wright em Lisboa, artista que já trabalhou com nomes como Yann Tiersen ou Rachel´s. A sua música é uma mescla idiossincrática de nomes tão dispares como Erik Satie, Terry Riley, Carlos Paredes ou Rachel´s, marcadamente instrumental e minimalista, usando o Piano como trave mestra e apresentando-se recentemente em formato duo, com João Correia na bateria.
22,00h
Vic Chesnutt

Figura constante da canção norte-americana do último par de décadas, Vic Chesnutt é um exemplo tremendo de superação e poesia. Envolvido em música desde os meados dos anos 80 (com a sua estreia discográfica com ´Little´ em 1990), viu-se circunscrito a uma cadeira de rodas desde cedo na sua vida adulta, tendo vindo desde então a entrar numa imparável e permanentemente aberta criação artística. Com o apoio de Michael Stipe nos primeiros anos do seu trabalho público, Chestnut já viu artistas como Madonna, os R.E.M. ou os Smashing Pumpkins fazerem versões das suas músicas, como colaborou com gente como Emmylou Harris ou os Lambchop, como fez parte do elenco de ´Slingblade´, o filme galardoado pelos Óscares da autoria de Billy Bob Thornton. Natural do estado da Georgia, reside hoje em dia em Nashville, ondeprossegue na sua lírica das vertigens, doteatro das pessoas e do labirinto psíquico. Fará nesta noite a sua tardia estreia nacional no palco do AMAC.
Dia 19
21,30h
American Music Club

Figuras de destaque de uma época de revitalização do roots rock norte-americano, há mais de vinte anos – com uma interrupção de praticamente uma década pelo meio – que Mark Eitzel e os seus American Music Club cantam as cantigas da miséria pessoal, os lamentos dos tempos, e os ensejos dos solitários. Originários de São Francisco, Eitzel e Vudi (os dois membros fundadores que se mantém na banda) editaram este ano ´The Golden Age´ na sua nova base criativa, Los Angeles. O segundo dos álbuns após o seu regresso, assinalado aquando do lançamento de ´Love Songs for Patriots´ em 2004, é testamento sofisticado e cáustico da lupa negra de Eitzel, sempre com quantidades bem doseadas de acidez e carinho pelo marginalizado e resistência ao obstáculo. Um dos mais carismáticos escritores de canções dos Estados Unidos, num regresso com a sua banda de sempre a um país que o vem acarinhando faz tempo.

Contactos:

919205447 – Miguel Afonso
212147410 – Bilheteira AMAC
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